domingo, 28 de novembro de 2010

À CONVERSA COM RICARDO PINTO: ENTREVISTA EXCLUSIVA AO JORNALISTA JOSÉ MANUEL FERNANDES.

CONTINUANDO NAS MINHAS ENTREVISTAS...

1) José Manuel Fernandes com que idade e em que circunstâncias surge a sua ligação ao jornalismo?
Surge em 1976, com 19 anos. Tinha de começar a trabalhar (já estava casado) e surgiu uma oportunidade num jornal. Aproveitei e, depois, nunca mais larguei.

2) Em 1976 matriculou-se em Medicina, que logo trocaria pela Biologia, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Que aventura foi esta? Perdeu-se um grande médico, ganhou-se um grande jornalista!?
Matriculei-me em Medicina ainda em 1975, mas nem completei um semestre. Senti que não tinha vocação. Quando voltei a estudar, após um atribulado processo de transferência, escolhi Biologia. De certa forma, era o que sempre tinha querido estudar.

3) Se não fosse jornalista o que se via a fazer, profissionalmente?
Quando optei por Biologia pensava vir a ser investigador. Sempre me fascinou a descoberta científica.

4) Onde é que se licenciou em jornalismo?
Nunca me licenciei em jornalismo. Quando estudei nem sequer havia licenciaturas em comunicação social.

5) Cada vez mais se fala do jornalismo enquanto um 4.º Poder que funciona em simultâneo como contra-poder. Acha que o jornalismo deve assumir essa mesma função?
Acho que o jornalismo deve funcionar como um contra-peso que limita o poder executivo ao permitir que os cidadãos estejam informados, questionem as políticas e pensem pelas suas cabeças. Tem também uma função de vigilância democrática, de "watchdog". Não acho que deva assumir-se como um poder autónomo.

6) Como é que vê a evolução do jornalismo sobretudo ao longo das últimas décadas em Portugal?
A evolução do jornalismo em Portugal no pós-25 de Abril foi muito positiva e teve, porventura, o seu melhor período durante a década de 1990. Nos últimos anos tem sofrido muito com a crise económica e a redução do tamanho das redacções.

7) A informação isenta e objectiva são características pelas quais o bom jornalismo deve primar, no entanto não considera que «por mais que se procure esse distanciamento, a personalidade do jornalista, o seu pensamento» acabam muitas vezes por demarcar determinadas posições?
Sem dúvida. O jornalista deve procurar ser isento tendo a noção de que, como qualquer ser humano, o seu olhar é necessariamente subjectivo. É melhor assumir que há sempre subjectividade do que fingir que se é imaculadamente puro, pois essa condição não existe.

8) A relação entre o político e o jornalista são vincadas de um misto de ambivalências. O político precisa do jornalista para transmitir as suas ideias, opiniões e o jornalista precisa dele para informar o cidadão. Não obstante quando o jornalista entra em campos de investigação com os quais o político não concorda gerasse muitas vezes um clima de tensão. Como é que vê na actualidade esta relação?
Não acho que a tensão actual seja muito diferente do que foi no passado e será no futuro. O político procura e procurará sempre formatar a informação de acordo com as suas conveniências, os jornalistas devem procurar toda a informação relevante para os cidadãos. Estes dois conjuntos nem sempre coincidem, pelo que é positivo estar consciente dessa tensão.

9) O José Manuel tem vindo a participar ultimamente em debates televisivos. A questão que lhe coloco é: não será para um jornalista muito mais difícil assumir o lado de «entrevistado» do que entrevistador, uma vez que a partir daí entramos no domínio da opinião subjectiva?
Quando participo em debates e quando dou opinião faço-o enquanto cidadão informado que tem a profissão de jornalista. Ou, se preferir, enquanto jornalista de opinião, que é um domínio da actividade que tem também toda a legitimidade.

10) Como é que vê o Jornal Público na actualidade?
Como o jornal onde trabalhei 20 anos e onde hoje continuo a colaborar.

11) Qual é a sua opinião relativamente ao final do Jornal Nacional de 6, apresentado por Manuela Moura Guedes. Acredita na tese que o poder político acabou por extingui-lo?
Não é preciso concordar com o que se faz num órgão de informação para defender que, em nome do pluralismo, ele deve existir desde que tenha público. O Jornal Nacional de 6 tinha público (registava boas audiências), pelo que não foi por desinteresse dos telespectadores que acabou. De resto não tenho qualquer dúvida que as pressões do poder político não se limitaram a um ataque do José Sócrates na abertura de um congresso do PS: foram mais profundas, mais dissimuladas e, por fim, mais efectivas.

12) Falou-se aqui há tempos atrás do programa «Prós e contras» em que participou e o tema estava relacionado com o processo Casa Pia, onde aliás, Carlos Cruz esteve presente. Agradou-lhe a forma como o programa foi conduzido, é que a determinado momento, à maioria do público a ideia que se passou era que a grande vítima ali presente, era Carlos Cruz!?
Não gostei nada da forma como o programa foi conduzido. Mesmo nada. Tentei contrariar alguma coisa, mas era difícil.

13) Cada vez mais se fala que é inevitável a vinda do FMI a Portugal. Acredita que essa seria uma boa solução para actual conjuntura do país?
Portugal vai ter de fazer muito mais reformas do que as que já estão em curso. Se não as conseguirmos fazer sozinhos - e não estamos a conseguir -, que venha o FMI o mais depressa possível.

14) Como é que reagiu à entrevista ao jornal francês Liberation de Dezembro de 2007 de José Sócrates, onde este o classificou como sendo o seu "melhor inimigo"?
Como sendo um sinal da obsessão que Sócrates tem com a sua imagem e da forma como lida mal com a crítica e, sobretudo, com a liberdade de imprensa. Achei que revelava uma mentalidade doentia.

15) Acredita que o seu poder reivindicativo oriundo desde os tempos MAEESL - Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa ou do primeiro secretariado da União de Estudantes Comunistas (Marxista-Leninista) possa ter marcado definidamente as suas ideologias políticas, marcando profundamente o seu tipo de jornalismo interventivo?
Não tenho dúvida que a minha experiência de vida, nomeadamente nesses anos, marcou muito o que sou. Nunca fui conformista, sempre corri alguns riscos, nunca gostei de ser um "yes men" e sempre procurei pensar pela minha cabeça. Para além disso nunca fui indiferente ao destino da sociedade, pelo que ser interventivo é, para mim, a forma mais natural de estar na vida.

16) Para terminar, qual acredita ser a situação política deste país. Novas eleições em 2011?
Muito provavelmente. E era melhor que assim fosse: tal como estamos não vamos a lado nenhum. Os agentes políticos necessitam de se relegitimar e o país precisa, depois, de que tenham o sentido de Estado para um acordo a médio prazo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Entrevista exclusiva à Jornalista Conceição Queiróz, TVI


Na continuação do projecto lançado por este blogue, publica-se hoje a 4.ª entrevista. Devo dizer que tem sido um privilégio contactar com estes profissionais e com tudo aquilo que eles no ensinam, nas suas vivências, nos seus trabalhos, na sua vida...

Desta vez conversei com a jornalista da TVI, Conceição Queiróz, cuja entrevista poderá ler na íntegra:

(Foto de Ana Lopes Gomes)
1) A Conceição sai aos 12 anos de Moçambique. Que recordações guarda do seu tempo de criança nesse país africano?
Recordo essencialmente o sentido de família. Os almoços de domingo, os cheiros e os aromas da fruta, o camarão tigre, o Natal debaixo de 40 graus, as voltas à Ilha de Moçambique com o meu pai num barco a motor veloz. A vida em África é levada noutro ritmo. Temos todo um tempo que é absolutamente nosso. E isso não tem preço.

2) Sei que os seus pais gostavam que tivesse tirado um curso ligado à saúde, nomeadamente, fisioterapia. O que a levou a enveredar pelo caminho do Jornalismo?
Pois é… Os meus pais queriam muito que eu tivesse seguido medicina ou qualquer outro curso da área da saúde. Poderia ter sido fisioterapia, enfermagem, análises clínicas. Acabei por trilhar os caminhos do jornalismo, influenciada por uma professora de Português que gostava muito de mim, que puxava por mim, incentivava-me, fazia-me compreender uma série de outras coisas pelas quais não me interessava minimamente. Foi o caso do jornalismo. É verdade que cresci a ouvir histórias incríveis que as minhas avós contavam, mas não foi isso, definitivamente, que me levou a este mundo do jornalismo.

(Fotografia de Ana Lopes Gomes)

3) Quais foram as suas primeiras experiências profissionais? Ainda se lembra da sua primeira peça jornalística?
Comecei na imprensa, no Grupo Semanário. O meu primeiro trabalho foi publicado há 16 anos, em 1994. Foi uma entrevista à Campeã Nacional de Karting… Lembro-me perfeitamente.

4) A Conceição já foi professora de português. O que lhe apraz dizer acerca do novo acordo ortográfico nos países de LOP?
O novo acordo ortográfico é aplaudido por uns mas encontra resistência por parte de outros. As mudanças nem sempre são bem aceites mas parece-me razoável que nos habituemos às novas regras. De qualquer maneira, vivemos um momento de transição uma vez que até 2015 podemos manter a grafia que utilizamos hoje. É uma fase de adaptação e o novo conversor de documentos para este novo acordo ortográfico já foi apresentado.

5) Aqui há uns tempos atrás lançou o livro «Serviço de Urgência». Como foi contactar diariamente com pessoas que estavam entre a vida e a morte, pessoas que num dia viu eventualmente sorrir e no outro já não estavam entre nós?
Acompanhava-os a partir do momento em que davam entrada na Urgência do Santa Maria. E quando isso acontecia, as pessoas já não estavam bem. Foi das experiências mais duras e mais envolventes. Estar ali, frente a frente com a fragilidade do ser humano mas também com aquilo que é o limite da ciência. Há coisas que a própria medicina não consegue controlar. E isso desvenda-se claramente sempre que se perde uma vida.



6) A Conceição é uma mulher de andar no terreno, de investigar e a verdade é que muitas vezes deve estar semanas fora do País, no continente africano, por exemplo, com as mínimas condições, a que nós portugueses estamos habituados. Recorrendo um pouco à reportagem que nos apresentou, sobre os «Meninos do Jamba», como foram os seus dias, as suas rotinas, na vivência com estas crianças?
Como não sou um ser humano de rotinas (fujo a essa vivência estática, quase rígida que suporta a maioria dos homens e das mulheres…) adapto-me bem e rapidamente a quaisquer cenários. É no terreno que a minha profissão se concretiza, é ali que tudo ganha sentido, de caras com um outro mundo… Os entrevistados, os factos, a verdade. As crianças eram o centro das atenções na Jamba Mineira. Ouvi-as com atenção, sentei-me no seu chão. Percebi depressa que precisam apenas de uma oportunidade. Tratavam-me por mana, por madrinha, por mamã. Lutei para voltar a Angola e levar os donativos que juntei depois da emissão da reportagem. Os portugueses continuam solidários.

7) Pelo histórico das suas reportagens, denota-se que é uma mulher ligada a causas, aos outros. Sente que de certa forma com as suas reportagens está a ajudar os mais desfavorecidos?
Gosto das pessoas, acima de tudo. Não sei se as minhas reportagens ajudam os mais desfavorecidos mas é preciso mostrar, temos de revelar o que acontece. É bom que as pessoas compreendam de uma vez por todas que o mundo não começa nem acaba nas suas ruas, nas suas pracetas.

8) Ainda há pouco tempo, mais um trabalho seu e de toda a sua equipa premiado, «Música no Coração». O papel da música enquanto instrumento de inclusão social. Como é que nasce num jornalista, no caso, a Conceição, a ideia, a criatividade, de procurar histórias que nos preenchem, enquanto seres humanos? Ao fim e ao cabo como nasceu esta reportagem?

Tudo começa pela ideia, precisamente. Estou atenta ao que se passa… Pego no meu carro, vou aos sítios falar com as pessoas, compreender, tentar descodificar. Mas por vezes, uma breve num jornal também me pode inspirar e então fazes 30, 35 minutos em televisão a partir de uma notícia que passou completamente ao lado da maioria dos leitores. Outras vezes, escrevem-me, telefonam-me, falam-me de situações que merecem um trabalho de fundo. A reportagem “Música no Coração” nasce depois de eu ter visto na RTP 2 uma peça de dois ou três minutos e depois na RTP África com mais algum tempo… E mesmo assim eu achava que se podia fazer mais… Que aquela temática merecia continuar a ser tratada e claro, dando-lhe tempo. Fiz então um trabalho de 40 minutos mas tinha material para uma hora. Contrariando as expectativas acabou por ser a reportagem mais vista do ano de 2009 com picos de 2 milhões de telespectadores. Os miúdos da Orquestra Geração seduziram os portugueses.

9) «A Escola da Vida» foi outra reportagem de mérito, onde a Conceição acompanhou o dia-a-dia de estudantes de mais de 35 nacionalidades. Acha que o racismo, a exclusão social, são problemáticas que têm vindo a diminuir?
Quero acreditar que o racismo diminui. Temos bons exemplos. “A Escola da Vida” prova isso mesmo. Já muita coisa mudou mas é um caminho que estamos a fazer. A exclusão social não… Não me parece que esteja a reduzir. Porque aqui estamos a falar de algo que imediatamente se associa à pobreza, também à falta de poder e de acesso ao mais elementar. E a pobreza aumenta aos olhos de quem quiser ver. Obviamente que a situação de sem-abrigo é o registo extremo da exclusão social mas o desemprego faz com que se percam quase todas as redes sociais, inclusivamente os amigos. A exclusão social pode começar nesse processo de exclusão do mercado de trabalho… E é perigosíssimo.

10) Ainda há poucos dias, esteve num campo de refugiados, no Quénia. Quais são as grandes dificuldades de uma equipa de jornalistas ao entrar num local como este, onde a guerra, a fome, a morte são constantes?
Acho que tudo depende da flexibilidade de espírito, da capacidade de nos adaptarmos. Em relação às dificuldades… Jamais serei indiferente ao sofrimento humano. Onde quer que esteja. No Quénia, naquele campo de refugiados, vi o que nunca imaginara. Crianças enlouquecidas. Não tem explicação… Enlouquecem porque o pai foi esquartejado diante delas, porque a mãe estava grávida e abriram-lhe a barriga a sangue frio. Outros foram mutilados. É isso que custa. O resto dos obstáculos perde sentido para a equipa de reportagem. Falo por mim, naturalmente.

11) Em alguma reportagem que fez ao longo dos mais de 14 anos de experiência sentiu medo, onde, eventualmente, a sua vida pudesse estar em risco?
Nada de grave. Só fui apedrejada uma vez e tentaram atropelar-me ao de leve… Também fui ameaçada para não fazer uma certa reportagem que punha em causa o bom-nome de uma família a que pertencia uma enfermeira que atropelou mortalmente um rapaz de 20 e poucos anos.

12) Quando se trata de reportagem onde os entrevistados apenas falam crioulo, por exemplo, é a própria Conceição a fazer as traduções para o português, ou conta com a ajuda de um tradutor?
Aconteceu-me em Cabo Verde. Algumas pessoas só falavam crioulo. Pedi a um taxista que me dissesse como perguntar o que queria, escrevi exactamente como se pronunciava e fiz as entrevistas, dispensando o tradutor. No interior de Moçambique sucedeu o mesmo. Explicaram-me como pronunciar algumas das palavras, compreendi rapidamente, registei, tirei todas as notas necessárias e comuniquei através da língua local. Correu muitíssimo bem. Mas claro que há situações em que não se pode dispensar o tradutor.

13) Quando se encontra, em países, tão longe de Portugal, como por exemplo o Quénia, a reportagem é editada e pronta para exibição, já em Portugal, ou toda a matéria é enviada do país, onde se encontra no momento?
No Quénia tínhamos actualidade. As coisas estavam a acontecer no campo de refugiados. Eu e o repórter de imagem fomos enviando as peças já feitas, editadas, prontas para emissão, diariamente.

14) Assistimos há alguns meses a uma reportagem sua sobre a cidade de Lisboa, sobre o comércio tradicional, as tradições, as vivências de um povo. Quer nos falar um pouco sobre esta reportagem e sobretudo a sensação que sentiu ao saber, que um dos seus entrevistados, pouco tempo depois da reportagem faleceu?
Foi tão enriquecedora essa reportagem, esse pequeno retrato de uma Lisboa antiga. Passei a gostar ainda mais da capital, eu que já tinha paixão pela cidade. Queria conhecer melhor os que naturalmente resistem à modernidade, os que ainda vendem porta a porta ou faziam compras na drogaria da Rua da Lapa, onde o senhor Fernando (o entrevistado que faleceu) trabalhou durante décadas. Fiquei sem graça nenhuma quando recebi o telefonema do filho a avisar-me que o pai tinha morrido na véspera de Natal. A promoção da reportagem já estava no ar, não sabia o que fazer. O mínimo foi dedicar-lhe a reportagem e ir ao funeral, com missa de corpo presente na Basílica da Estrela. Não me esqueço que pediu muito que o avisasse do dia da emissão da reportagem e que lhe oferecesse um DVD com a cópia do trabalho. Já o fiz. Entregamo-lo ao filho.

15) A distinção do Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença, fá-la acreditar que é possível mudar mentalidades, alertar os governantes? Acredita que o facto de ser moçambicana, de cor, contribuiu ao longo de toda a sua vida numa luta mais aguerrida, contra o racismo, por exemplo?
O prémio é sempre a valorização do trabalho de bastidores uma vez que não é fácil fazer uma boa reportagem. Em relação às mentalidades, não é algo que se altere de um dia para o outro. Já os murros no estômago, esses alertas para determinadas realidades que se escondem, são necessários. Quanto ao facto de ser africana… Nunca usei isso como bandeira. As pessoas têm sempre muito mais curiosidade pelo meu trabalho e eu sinto isso mas não me incomoda minimamente. Sou sempre muito bem tratada, muito acarinhada pelo público.

16) Trocaria a vida de repórter por pivô de informação? Porquê?
Não, não troco. Até porque já tive a experiência de estúdio. Na Televisão de Cabo Verde apresentei o Jornal Desportivo e foi óptimo mas eu amo estar no terreno.



(Fotografia de Ana Lopes Gomes)


17) Conceição que tipo de trabalhos poderemos continuar a ver daqui para a frente da sua autoria?
Continuo na equipa da grande reportagem…

18) Para terminar esta entrevista, uma pergunta mais intimista - o seu cabelo, é de facto uma imagem de marca, de reconhecimento. Confesse-nos, que preocupações diárias tem com ele?
O meu cabelo?! Imagem de marca? Para mim é um problema. Uma trabalheira. Ora o original afro, ora um rabo-de-cavalo para não me chatear, ora tranças corridas para acordar penteada. Mas cá nos entendemos.

luso-africa.net

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PRÓXIMO DOMINGO (17 DE OUTUBRO) - ENTREVISTA EXCLUSIVA A CONCEIÇÃO QUEIRÓZ, JORNALISTA DA TVI

PRÓXIMO DOMINGO - 17 DE OUTUBRO
NO «À CONVERSA COM RICARDO PINTO »- ENTREVISTA EXCLUSIVA A CONCEIÇÃO QUEIROZ.
A reportagem «Música no Coração», da jornalista da TVI Conceição Queiroz, com imagem de João Paulo Delgado e montagem de Miguel Freitas, venceu o Prémio do Diálogo Intercultural ex-aequo com a RTP, atribuído pelo... Alto Comissari...ado para a Imigração e para o Diálogo Intercultural (ACIDI).
Não perca!

domingo, 10 de outubro de 2010

ENTREVISTA EXCLUSIVA A MIGUEL CABRAL, JORNALISTA DA TVI

1) Miguel, com que idade surge o seu gosto pelo jornalismo? Em que moldes?
A paixão inicial foi pela rádio, depois de alguns anos de actividade na área a ligação ao jornalismo foi ganhando terreno até que fiquei rendido ao jornalismo.
2) Lembra-se dos telejornais do seu tempo de adolescência? Quem eram os seus jornalistas de eleição à época, porquê?
Ao longo dos anos 80 comecei a ver os telejornais e na altura recordo-me de fixar mais as histórias do que propriamente pivots.
3) Aos 16 anos começa a fazer rádio. Que tipo de programas fazia à época?
O início da rádio foi com um programa de desportos motorizados na Voz do Marão, mas de imediato integrei a equipa desportiva da rádio.
4) Onde tira a sua formação em jornalismo?
Na universidade frequentei o curso de Educado de Infância. A experiência na área foi fundamental para continuar ligado à comunicação social, através da participação em diversas acções de formação, colóquios e curso práticos.
5) Como é que nasce a sua ligação com a TVI, enquanto repórter?
O convite surgiu numa altura em que na rádio me dedicava por inteiro ao jornalismo, sendo inclusivamente colaborador em alguns jornais.

6) O Miguel ofereceu aos portugueses destinos de eleição, cá no Norte. Sente que, de alguma forma esta região se encontra um pouco esquecida pelo resto do país?
A região transmontana é algo esquecida por quem decide na altura de fazer grandes obras tais como melhores vias de comunicação mas a maioria dos Portugueses sabe que Trás os Montes tem produtos e paisagens únicas no País.

7) Estando tão longe da Mãe (TVI) conte-nos como é um dia do seu trabalho. Suponhamos há um acidente na região de Amarante. Como é que o Miguel é chamado ao local, alguém lhe comunica ou é o próprio Miguel que parte para a notícia, após a consulta de outros órgãos de comunicação social?
Na maioria da vezes são fontes estabelecidas na carreira que permitem chegar cedo aos locais e assim avisar a TVI de determinados acontecimentos.
8) Qual foi a reportagem mais emocionante, aquela que lhe apetecia sair dali devido à sua carga emotiva, eventualmente, morte, destruição…?
Há sempre reportagens que nos marcam, sobretudo aquelas que envolvem a morte de alguém. Recordo viver momentos de aflição num incêndio que no momento ne fez desejar sair do local o mais rápido possível.
9) O repórter costuma viajar muito. Que países já visitou, enquanto jornalista?
Como correspondente numa delegação a saída do País em reportagem não é muito frequente mas já tive oportunidade de estar em alguns locais, tal como a Bósnia com várias reportagens sobre os militares portugueses ali colocados.

10) Como é que analisa a relação entre política e jornalismo nos dias de hoje?
Sempre foram áreas que se tocaram pela importância que as duas têm na sociedade. No jornalismo há que tentar mostrar à opinião pública os factos sempre com rigor.

11) Como é que na sua perspectiva nasce a reportagem exclusiva para um jornalista?
Através de investigação. Área que ainda está por desenvolver pois exige muitas horas de dedicação que por vezes os jornalistas não têm pois existem muitas reportagens a elaborar.
12) Quando o Miguel está de férias, consegue-se desligar da actualidade nacional, ou a sua profissão fala mais alto e tem necessidade de se manter permanentemente actualizado?
É difícil desligar, mas umas férias sabem sempre bem.
13) Como vê a relação entre as novas redes sociais (facebook, twitter) e o jornalismo?
Hoje em dia a maioria das pessoas está ligada a redes sociais e um jornalista deve estar atento à nova realidade que é a possibilidade de partilhar ideias por exemplo sobre reportagens.
14) O que lhe dá mais prazer fazer, escrever a notícia (imprensa escrita), ou fazer o seu pivô para televisão? Porquê?
A reportagem em si é algo que dá gosto fazer pois trata-se de contar uma história ao público através dos meios que nos são facultados.
15) Ainda hoje, depois de alguns anos a fazer directos, sente aquele «friozinho» ao ver a luz da câmara acender?
Curiosamente nunca senti muito esse “friozinho” pois desde sempre, sobretudo na rádio me lembro de fazer directos.
16) O bom jornalista é aquele que cresce todos os dias. Que conselhos gostaria de deixar aos futuros jornalistas deste país?
Sem dúvida, todos os dias se aprende algo com alguém, e muitas vezes é em locais quase isolados mas com pessoas com história de vida impressionantes. Quem gostar de jornalismo deve emprenhar-se ao máximo para ter futuro na área que é realmente cativante.


SPORTING - O CLUBE DO CORAÇÃO DO JORNALISTA

ENTREVISTA DADA PELO JORNALISTA À UTAD

domingo, 26 de setembro de 2010

ENTREVISTA EXCLUSIVA A RITA MARRAFA DE CARVALHO - JORNALISTA DA RTP

1) Rita como é que nasce esta paixão pelo jornalismo? Era também daquelas crianças que se punha em frente ao espelho a apresentar o telejornal?
Não, de todo. A apresentação de um espaço informativo nunca foi factor de fascínio. Achava limitativo. Interessava-me o terreno, o contar a história, o estar nos locais e interagir com os intervenientes. Comecei na Rádio e Televisão Escolar, no Liceu. Um simples Clube de Comunicação Social que acendeu um rastilho intenso... uma vontade de contar as histórias reais. A partir daí, quis experimentar tudo o que me apareceu na área da comunicação: rádio local, imprensa escrita, até produção de cinema. Depois, naturalmente, seguiu-se o curso de Ciências da Comunicação, na Universidade Nova de Lisboa. A necessidade de saber como contar, modos de contar, de intervir, de dominar os modelos comunicacionais.



(Foto de Garriapa - jornalista da SIC)

2) Há quantos anos está nesta profissão e qual foi o local da sua rampa de lançamento?
Eu comecei a fazer rádio na SeixalFM com 17 anos. Depois, foi em crescendo. Já lá vão 16 anos.


3) Voltaria a fazer tudo da mesma forma?
Julgo que sim. Não há nenhum passo de que me arrependa. Aprendi sempre algo. Mesmo quando a experiência foi menos gratificante ou prazeirosa, tirei sempre lições.






4) A Rita para além da sua faceta de jornalista dedica-se também à escrita. Em 2006 surge juntamente com Eduardo Águaboa no romance, Vieste p@ra ser o meu livro. Acredita que numa sociedade cada vez mais globalizada, se perderam os velhos hábitos de socialização face-a-face, ou o espaço «dos bites e bytes» serviu para aumentar esses elos de ligação entre as pessoas?
Esse, curiosamente, é o tema da minha tese de Mestrado, ainda em construção... Sem dúvida que a “tecnologização” das relações criou novos conceitos de interacção. Se são passíveis de qualificação como bons ou maus, é discutível. A informação dialogante está acelerada, rápida, imediata. Mas isso é sinal de que está melhor? Não, não creio. A parede tecnológica, que é algo que intermedeia uma relação comunicativa, como um computador, um telefone ou os SMS's, intensifica a intimidade. Mas essa mesma intimidade não deixa espaço para toda a paralinguagem. Não existe o cheiro, as inflexões da voz, ou as expressões do olhar. Toda a linguagem corporal e facial perde-se. Por isso, sim... acho que os hábitos de socialização estão inegavelmente diferentes. Potenciam o contacto mas isso não significa que melhorem o contacto.




5) Já em 2008 juntamente com a jornalista Margarida Neves de Sousa surge como autora de uma obra mais jornalística, de investigação – Esmeralda ou Ana Filipa. Como é que uma jornalista consegue gerar emoções tão fortes neste caso concreto, onde ambas as partes revelavam querer o melhor para a menina, quererem a guarda definitiva de Ana Filipa no caso da Família Gomes ou de Esmeralda no caso do pai biológico, Baltasar Nunes?
Essa obra foi tremendamente trabalhosa. Aquilo a que se chama “uma verdadeira dor de cabeça”. Lemos milhares de artigos publicados, vimos horas de reportagens dos três canais, uma carga inexplicável de informação divulgada pelos media. Não nos é permitido, obviamente, adoptar posições mas revelar factos. E, neste caso em concreto, muitos dados não eram claros, não tinham sido divulgados correctamente ou com exactidão. E era inegável o interesse social e criminal do caso. Subitamente, era a novela da Esmeralda a que as pessoas assistiam todos os dias nos noticiários. Mas era de uma criança que se tratava... disputada por três famílias, a certa altura. Os meios de comunicação foram os culpados de verdadeiras barbaridades... fotografar a criança no primeiro dia de escola, filmá-la a gritar dentro do carro na passagem para o pai biológico. São momentos que, esperemos, sirvam para reflectirmos e não repetir.

6) A Rita é uma grande defensora da preservação da Língua, enquanto identidade Portuguesa. O que lhe apraz dizer sobre o acordo ortográfico?
Essa questão é curiosíssima porque assumi essa posição num espaço cibernáutico como o Facebook. Curiosamente, as pessoas mais directamente ligadas ao uso da língua portuguesa não foram perdidas nem achadas neste Acordo. Não, de facto, não concordo com os preceitos, os métodos e imposições. Não é uma questão de se preservar a rigidez da língua, mas de permitir a sua riqueza inter-continental. Não temos de falar todos da mesma maneira, não temos de uniformizar fórmulas! Os Ingleses dizem e escrevem garbage, os americanos trash. Os ingleses escrevem want to, os americanos utilizam com mais frequência o wanna. E então? São estas preciosidades que os tornam únicos.

7) Recorda-se ainda hoje do seu 1.º directo? Onde foi, que reportagem e que sentimentos a rodearam naquele momento?
Recordo-me do meu primeiro directo de televisão, sim. Mas não me recordo do de rádio, o que não deixa de ser curioso. O meu primeiro live em televisão nem foi como jornalista, mas como apresentadora do Curto Circuito Especial de fim-de-semana, no já extinto CNL. O Rui Unas e a Rita Mendes apresentavam de 2ª a 6ª e eu aos Sábados, com um painel de convidados, três horas em directo, sem teleponto. Maravilhoso. Correu muito bem. Na RTP, como jornalista, foi na estação rodoviária do Colégio Militar por uma greve qualquer. Estávamos em 2000.Quem me conhece sabe que não sou de grandes nervos ou inseguranças. Quando apresentei o Curto Circuito estava, inevitavelmente, tensa. Mas foi algo que ultrapassei nos primeiros minutos, quando ouvi no auricular “estás no ar”. Talvez por isso, o directo na RTP tenha sido feito com alguma tranquilidade. Não era novidade olhar para uma câmara, ouvir o “fala” no ouvido... Gosto muito do sem-rede, do é agora. É um pôr-me à prova de que gosto bastante e que confere uma adrenalina notável. E tenho um péssimo hábito: não escrevo nada, não faço anotações, não decoro discursos. Se por um lado é bom, - não fico agarrada a um fio que se pode perder ou sem capacidade de respostas face ao imprevisto,- por outro, se me esquecer de um nome ou de um número... Talvez por isso, goste da efemeridade do directo, do teste “tenho de dar o máximo de informação com clareza e veracidade”. A minha estratégia é simples: se tenho de partilhar uma informação com o telespectador, faço-o como se contasse algo a alguém familiar, num estilo informal mas incisivo e com as devidas distâncias discursivas, como se de um diálogo se tratasse em lugar de um discurso empinado.

8) Sente que a vida de jornalista na actualidade é difícil, pela sua precariedade, pela sua remuneração?
Não tenho a menor dúvida que estamos a passar por uma das piores fases do mercado jornalístico. Não há empregos. Não há lugar para as “fornadas” de jornalistas que saem das universidades, politécnicos, escolas profissionais. Muitas com um ensino duvidoso e programas desprovidos de qualquer sentido prático do ofício. Mas hoje, atenção, os jornalistas são mais bem pagos do que eram há uns anos valentes. Quando surgiram as televisões privadas, e mesmo antes, com os jornais de vanguarda, que foram uma autêntica pedrada no charco, como o Público e o Independente, os salários sofreram visíveis aumentos. Actualmente, vivemos um período negro... os estagiários não são remunerados, a progressão de carreira é lenta ou inexistente, e os salários não conhecem aumentos há muito tempo. Os jornalistas são dos licenciados mais mal pagos no início de carreira. Algo que me entristece muitíssimo. Há um congelamento de expectativas, de evolução. É difícil crescerem e surgirem novos nomes porque, constantemente, há areia na engrenagem...

9) O que a mais gratifica na sua profissão?
A intensa e permanente aprendizagem e o modo como mudamos a vida das pessoas. Que influências intensificamos, as convicções que se alteram, outras realidades que revelamos... e aquelas que nos são reveladas a nós próprios. Guardo as mais preciosas histórias e o prazer de ter privado com os mais ilustres anónimos que partilharam comigo experiências de vida riquíssimas. Essa é a grande virtude: aprender, experimentar, conhecer. É uma fonte inesgotável para uma sede de conhecimento que tenho.



Banda Aceh, Samatra, Indonésia, 2005
Tsunami no Sudeste Asiático

10) Grande reportagem ou pivô da informação? Porquê?
Não há qualquer dúvida quanto a isso... Grande reportagem sempre. Eu recordo que nem sempre tivemos pivôs jornalistas. Os pivôs eram apresentadores. Por isso, homens com um poder comunicacional brilhante, boa imagem e cultura-geral, eram pivôs. O Fialho Gouveia e o Carlos Cruz foram pivôs de informação, por exemplo. Hoje em dia isso já não acontece. Mas, mesmo assim, tenho a convicção de que a índole do repórter está no terreno, no campo, no toque e na vivência. Jamais teria espírito para ficar encerrada num estúdio, alterando pivôs propostos pelos jornalistas que executaram as reportagens... e são nessas que eu gosto de estar. São essas que eu gosto de fazer.

11) Considera que os media causam alguma influência na sociedade portuguesa? Em que sentido?
Não podemos ser ingénuos e considerar que os media têm um papel suave e superficial. Não, de todo. Eu recordo-me de um documentário feito na SIC para o canal Arte, por Mariana Otero... em Cette télévision est la vôtre, Emídio Rangel dizia, numa reunião , algo do género... que vendiam presidentes como vendiam sabonetes. E não está muito longe da verdade. Existem interferências mais ingénuas no que diz respeito a influência dos media, como um produto óbvio da máquina mediática que é o happening. A presença de comunicação social é produtora de happenings... uma manifestação com 5 ou 6 pessoas calmas e ordeiras, transfigura-se com uma ou duas máquinas de filmar. As pessoas gritam mais alto, têm posturas mais assertivas. Tudo isto é plausível. Depois temos as convicções transformadas em modelações da realidade. Essas são as evitáveis...




12) A Rita foi uma das jornalistas a fazer a cobertura no terreno na leitura da súmula do acórdão do Processo Casa Pia, no passado dia 3 de Setembro. Todos nós, público, vimos a observação que Carlos Cruz lhe fez nesse dia, aquando da sua intervenção sobre o arguido, dizendo que este revelava um passo apressado na sua entrada. Acha que nestas situações tão delicadas, muitas vezes os jornalistas são de certa forma inferiorizados, bodes expiatórios, que resulta na revolta dos arguidos?
Carlos Cruz não estava numa posição fácil e eu também não. Não é comparável ouvir uma sentença ao final de 5 anos e 10 meses de julgamento e estar em directo numa maratona. Não tenho a menor dúvida, mas eram momentos tensos para ambos e ele respondeu com alguma tensão defensiva. Percebo lindamente. Se existiam outros modos e fórmulas para responder e escoar essa tensão? Sim, claro que havia.
Os jornalistas são incómodos para quem não quer responder! São chatos para quem está constantemente a ser assediado por jornalistas, são inconvenientes quando as questões são postas recorrentemente... tudo é relativo. Depende de que lado se está. O meu trabalho é informar. Tentar, legitimamente, obter informação. Se tenho de ser chata? Às vezes. Compensa? A maior parte das vezes sim... É ingrato? Não tenho a menor dúvida.

13) Como é que vê a relação entre a política e o jornalismo na sociedade contemporânea?
Vejo com a singularidade normal das relações entre jornalismo e restantes editoriais e temas. A relação foi, noutra altura, mais promíscua. Talvez mais tácita. Hoje é algo mais distante, mais respeitoso. Os terrenos estão mais delimitados. E ainda bem.

14) Nos últimos tempos tem-se falado bastante no código deontológico do jornalista. Haverá alguma situação em que este possa ser violado, ou pelo menos deixado um pouco de parte, quando se quer passar a verdadeira informação ao público leitor -espectador?
Não me parece. O código deontológico, tal como código de Processo Penal ou qualquer regra instituída, é contornável. Mas existem violações e violações. Há princípios básicos que jamais devem ser postos em sob o prejuízo de se desvirtuar a natureza do jornalismo leal, rigoroso e imparcial.


15) A universidade é um pilar do jornalismo, ou é um dos factores que associados à prática jornalística se conjugam no bom jornalista?
Temos grandes jornalistas que nunca passaram pelo ensino superior. No entanto, as exigência da modernidade são muitas e requerem instrumentos que um perfil académico dá. A universidade não substitui a prática, o terreno, mas fornece-nos um conjunto de utensílios de reflexão, conhecimento e uma cultura mosaico imprescindíveis para a efemeridade e a rapidez quotidiana.

16) Como é que nasce uma reportagem exclusiva num canal de televisão, no seu caso a RTP?
Nasce como em outro canal qualquer. Uma investigação própria, uma denúncia, uma descoberta de documentos... qualquer exclusivo requer uma fonte própria, informações únicas, corroboradas e legitimadas.

17) Todos os dias tem mais a aprender com os seus colegas há mais tempo no jornalismo?
Todos os dias são dias de aprendizagem. Com os meus colegas mais novos, mais velhos, com os entrevistados... As referências jornalísticas são sempre excelentes consultores.

18) Quem são para si os jornalistas de referencia da actualidade? Porquê?
O Adelino Gomes é um nome incontornável, bem como o de Joaquim Furtado. Hoje em dia, o Eduardo Dâmaso, o Henrique Monteiro... o Zé Manel Fernandes. Pessoas que tiveram um papel determinante no panorama jornalístico português no pré e no pós 25 de Abril. Que tiveram o privilégio de presenciar e fundar jornais maravilhosos, num tempo áureo de turbulência social e mediática.

19) Que perspectivas têm para a sua vida profissional?
Continuar a contar histórias. E escrever muito. A escrita é a linguagem e a aplicação do verbo na qual me sinto mais completa. A minha carreira profissional tem de passar obrigatoriamente pelo prazer. Quando não usufruir do que faço, mudo de emprego, de ofício.

Muito obrigado!

domingo, 15 de agosto de 2010

Entrevista exclusiva a Helena Fonseca - jornalista TVI

(HELENA FONSECA EM DIRECTO)

1) A Helena desde sempre quis ser jornalista. Houve algum motivo especial para esta escolha ou foi mesmo a entrega à profissão?

Comecei a sonhar ser jornalista aos 12 anos, andava no 8º ano. Mas quis ser jornalista de televisão especificamente. A minha professora de Português organizava muitos trabalhos a par ou em grupo. O primeiro desse ano era sobre o artesanato. Fiz com uma amiga minha e tivemos a ideia de entrevistar um artesão de Avintes, em Gaia, que fazia peças em barro extraordinárias. Ambas tínhamos máquinas de filmar em casa, amadoras evidentemente, e realizámos todo o trabalho em vídeo. No final, eu fiz mesmo sozinha uma pequena montagem com um aparelho que o meu pai tinha em casa e que dava para pôr música nos vídeos. Começava com Vangelis e terminava com “A Pronúncia do Norte”, dos GNR. Ficou muito giro! E esse foi só o primeiro. Gostei tanto de fazer trabalhos de reportagem em vídeo que passei a usar sempre esse formato, mesmo noutras disciplinas. E o sonho foi crescendo, cada vez mais maduro…

2) Durante a sua infância quem foram os profissionais de rádio e televisão que mais a marcaram e porquê?

Na minha infância, ainda só sonhava em ser veterinária, só me recordo bem da Manuela Moura Guedes a apresentar o jornal à noite. Via as notícias sempre com os meus avós, na nossa acolhedora sala de estar. Mais tarde, a abertura da SIC com o Emídio Rangel deu um abanão à televisão em Portugal e mesmo à forma de se fazer jornalismo televisivo. Nessa altura, gostava sobretudo do Miguel Sousa Tavares e da Margarida Marante, que faziam programas de debate juntos, (cheguei mesmo a escrever-lhes a pedir conselhos para chegar a jornalista de tv e eles responderam-me) e dos pivots Alberta Marques Fernandes e José Alberto Carvalho. Foram os nomes que me ficaram.

3) Licencia-se em 2003 em Ciências da Comunicação no Porto. Acredita que a vida académica é essencial na construção da sua profissão ou é um pilar que vem reforçar o trabalho em campo?

É um pilar que nos permite, sobretudo, ficar com uma maior cultura geral e que nos permite ter as habilitações académicas que hoje em dia são pedidas. Mas é assim não há muitos anos. Tenho colegas de profissão que nunca frequentaram o ensino superior e não são piores profissionais por isso, nem pouco mais ou menos. Os estudantes de hoje devem ter a noção de que, em jornalismo e dadas as dificuldades do mercado de trabalho, distingue-se quem tem melhor C.V., maior experiência e seja melhor profissional. É bom que se tirem boas notas para conseguir os estágios que algumas faculdades promovem com as próprias empresas, isso é bom. Mas, durante o curso, aconselho os estudantes de jornalismo a realizar trabalhos na área, mesmo com os melhores órgãos de comunicação social. Podem escrever reportagens, fazer, por exemplo, uma entrevista a alguém importante e oferecerem-na, mesmo que a custo zero, a um jornal nacional ou a uma revista. É importante é ser-se expedito e marcar a diferença. Cada passo desses enriquece logo o C.V. As notas académicas nem tanto.

4) Imaginamos a adrenalina dentro de uma redacção. A que horas começa e acaba um dia normal de trabalho para a Helena?

Um jornalista não pode, por norma, contar com uma hora certa de saída. A notícia não tem horas para acontecer e nós queremos é estar onde está a notícia, não é? Isso esbarra quase sempre com a vida pessoal de cada um, mas há que ir estabelecendo prioridades ao longo do tempo. Na TVI, como em quase todas as redacções, há horários rotativos semanalmente. Tanto posso estar fazer manhã-tarde hoje, como para a semana fazer tarde-noite. Depois, a adrenalina vem com a própria notícia. Quando há mais trabalho, trabalho com maior acção, a adrenalina aumenta.

5) Sente que todos os dias tem mais a aprender com os seus colegas há mais tempo no jornalismo?

Sinto que todos os dias temos alguma coisa a aprender, sempre, desde que haja espírito aberto para isso mesmo. Nesta profissão é muito rápida a ascensão, quando fazemos mais directos, quando damos mais vezes a cara por notícias importantes e o trabalho nos corre bem. Mas depois deparamo-nos com um período que nos soa a estagnação se não fizermos nada para o contrariar. Temos sempre que fazer coisas novas, procurar evoluir. Se chegar o dia em que eu achar que já sei tudo, que não tenho mais nada a aprender, nesse momento despeço-me e mudo de profissão. Por outro lado, sou da opinião que só temos a aprender com colegas que sejam para nós uma referência profissional. Não tem que ser necessariamente uma pessoa que trabalhe há mais tempo no jornalismo. Deve é ser uma pessoa com alguma experiência, cuja forma de trabalhar nos agrade particularmente.

6) Até hoje qual foi a peça, reportagem, que a mais marcou pela positiva? Porquê?

Em 6 anos e meio de jornalismo, já tive alguns trabalhos que me deram uma grande realização. Mas do que gostei mais, que não é uma só reportagem, foi de ter acompanhado todo o processo “Apito Dourado”, em Gondomar. Gosto especialmente de trabalhos de justiça. Descobri esse gosto com o “Saco Azul” de Felgueiras. O julgamento do “Apito Dourado” acompanhei-o a par e passo: directos e reportagens todos os dias. Tive de estudar imenso todo o processo, tirar dúvidas com advogados e funcionários judiciais. Era um processo complicado e com uma acusação com 400 páginas, que envolvia figuras com destaque no desporto. Desde a primeira audiência até ao dia do Acórdão, vivi dias de grande realização profissional. Dias em que chegava a casa cansada, mas com a certeza que fiz o trabalho que mais gosto e fi-lo bem feito.

7) Pelo contrário, qual foi o directo, por exemplo que mais embaraço lhe causou (situação anormal), que ainda hoje recorde?

Curiosamente, foi também num tribunal. Trabalhava há pouco tempo, não tinha experiência de tribunais nem dominava a linguagem judicial e chamaram-me às 7 da manhã para fazer directos do Tribunal de Menores e Família do Porto. Iam ser presentes a um juiz os menores acusados de homicídio no caso Gisberta. Eu não fazia ideia, por exemplo, que sendo menores não lhes são aplicadas medidas de coação mas sim medidas cautelares. Não tinha tido tempo de estudar o processo, de preparar-me minimamente… Valeu-me a minha forma de estar em frente à câmara… estava nervosíssima, muito insegura porque tinha consciência que não estava preparada, mas passava uma imagem de segurança. Isso em televisão é uma grande mais-valia, porque, se eu souber muito sobre determinado caso e não o conseguir transmitir da melhor forma, a mensagem não passa e a comunicação não acontece.
(AINDA NO INÍCIO DA SUA CARREIRA)

8) Lembra-se do seu primeiro directo? Que misto de sensações a rodearam naquele momento?

Lembro-me como se fosse hoje! Era um tema descontraído, quando os adeptos do F.C.P. se preparavam para fazer a viagem de camioneta para a Alemanha para ver a equipa conquistar a liga dos Campeões. Eram 9 da manhã. Eu ia fazer o meu primeiro directo e era tudo novidade, até o aparelho, a escuta, que temos que colocar para ouvirmos a emissão…! Mas correu bem. Tive o apoio do Henrique Garcia e da Júlia Pinheiro, na altura, os apresentadores do Diário da Manhã. Eles descontraíram-me. E, mais uma vez, estava nervosa porque sentia a dobrar o peso da responsabilidade, mas disfarcei bem!  No final de cada directo, sentia o corpo a cair de uma forma brutal.com o tempo, percebi que era a adrenalina a descer. Mas, quando se gosta, os directos viciam e hoje é do que sinto mais falta, porque já não faço tantos.

9) Li numa entrevista que a Helena gostaria de se especializar em política. O debate político sempre a fascinou, o que a leva para essa área?

Gosto muito de Política. Gosto especialmente daquele desafio de, em reportagem, conseguir descodificar os mitos políticos, “brincar” com os temas. Para mim, é a área com mais potencial para se fazer notícia e que não é aproveitada da melhor maneira. Se pensarmos bem, qualquer tema forte da sociedade serve para fazer uma reportagem, uma entrevista com um político. Quer do Governo quer da oposição ou, por exemplo, de uma autarquia. Qualquer desses bons temas presta-se a provocar uma resposta de um ministro, de um responsável pela nação que tem que prestar contas ao país. E, se falarmos de Assembleia da República, aí, então, há bons motivos para reportagem todos os dias. É um grande desafio saber como explicar a política que é praticada ao grande público.

10) O jornalista é também aquele que viaja muito, quiçá, até para fora do País à procura da notícia. Quais foram os países que já visitou, enquanto profissional de jornalismo?

Estive já por 2 vezes em Barcelona, em diferentes trabalhos. A Paris já fui umas 7 ou 8 vezes, um verdadeiro corre-corre! Estive ainda em Istanbul, em S.Paulo e em Dresden, na Alemanha.

11) Sabemos que para o jornalista o seu código deontológico é uma espécie de bíblia sagrada. Agora pergunto Helena, acredita que a maioria das notícias que são levadas até nós, público, têm na base esse mesmo código? Não acha que chegamos ao ponto, de que «o que importa é vender»?

Isso parte de cada profissional e de cada órgão de comunicação. Há uma linha, cada vez mais ténue entre conseguir prender a atenção do espectador e entre as sensações que podemos criar no espectador para mais gente ter curiosidade na reportagem e vender mais. Por vezes até me acho demasiado fundamentalista, mas com o tempo percebo que, trabalhando numa empresa privada, há que tentar conjugar da melhor forma esses dois objectivos: preocupo-me em ser correcta nas informações que passo e, ao mesmo tempo, também quero que a reportagem tenha muita audiência. É perfeitamente conciliável. Mas há, de facto, quem queira apenas vender e não se preocupe com o rigor dos dados e, na reportagem, dê mais ênfase a aspectos menos importantes da notícia mas que provocam mais as tais sensações no espectador. Um jornalista deve, quanto a mim, respeitar as principais regras do código deontológico, especialmente porque tem a imensa responsabilidade de transmitir mensagens para as massas e para as minorias, mas o espectador, as pessoas individualmente têm que começar a tornar-se mais activas nesse processo. Têm que saber pensar nas mensagens que recebem dos media e não absorver tudo o que lhes é dado. Claro que, no jornalismo, como em todas as áreas, há sempre quem se aproveite das fragilidades do receptor em benefício próprio.

12) Nos últimos tempos tem-se vindo a assistir a um certo atrito entre jornalistas e políticos. Porque será na sua óptica, que isso acontece?

Acontece porque, finalmente, o jornalismo começa a ter menos medo da política. É como eu dizia há pouco, só não se “brinca” mais com a política e com os políticos porque há uma certa inibição, uma sensação de hierarquia que, na nossa profissão, não deve existir como enquanto cidadãos comuns. [Convém explicar que quando falo em “brincar”, refiro-me por exemplo a um registo de reportagem mais irónico, que transmita as muitas incoerências que existem na nossa política de uma forma mais afirmativa e que provoque o espectador a pensar] O jornalista tem que encarar o político como aquele ou aquela que tem por obrigação governar e dar satisfações do que faz a quem o elegeu. Tem que interiorizar que esse é um poder muito útil à governação. Não digo que os jornalistas sejam fiscais dos políticos, mas podem questioná-los sempre que se justificar (e razões para isso infelizmente há muitas vezes) em nome de cada contribuinte. É a nossa função, fazer as perguntas para obter as respostas. Acho que a geração mais nova já está muito mais ciente disso e já não olha para os políticos só como “os senhores que mandam”. Felizmente.

13) Caso fosse convidada, aceitaria o convite para dar palestras ou quiçá leccionar alguma cadeira no curso de comunicação?



Desde que fosse conciliável com os meus 1500 projectos, tenho a certeza que sim!  Dei 3 aulas sobre jornalismo ao 8ºano e confesso que adorei a experiência. Acho que, quando gosto verdadeiramente do que falo, consigo transmitir a minha mensagem. Ao princípio tive receio de não conseguir captar a atenção de uma turma de 30 adolescentes, mas, quando percebi que ficaram todos caladinhos a ouvir-me, fiquei muito contente.
14) Para terminar esta entrevista, que balanço faz da sua carreira, enquanto jornalista, ao longo destes 7 anos?

Quase 7 anos… Passou muito rápido, essa é a verdade! Como comecei a trabalhar permanente em directos e sempre de manhã, que é quando é mais difícil porque a informação, de forma geral, é muito escassa, e estive nessa situação durante 5 anos, consegui ganhar muita experiência com a câmara… temos uma óptima relação!  trabalhava a um ritmo alucinante, horas a fio, mas há uma altura em que o corpo começa a dar avisos que não pode ser assim. Desde que deixei as manhãs da TVI, tenho uma vida mais normal. Não faço directos todos os dias, é certo, mas tenho tempo para procurar as minhas histórias, fazer mais trabalho de informação ainda que, por questões de agenda, não seja muito fácil. Tento conciliar as notícias do dia-a-dia ditas obrigatórias com as reportagens exclusivas que consigo através do trabalho com as fontes. Mas como desacelerei o passo, também começo a sentir necessidade de aprender mais qualquer coisa… quiçá tirar Direito, já que gosto tanto de tribunais!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Projecto: Pequeninos de Portugal


À CONVERSA COM RICARDO PINTO: Conheça o projecto «Pequeninos de Portugal».

Desta vez fomos ao encontro de Sandra Carapinha, uma das responsáveis do projecto: «Pequeninos de Portugal». Fique a conhecer o trabalho desta equipa e faça já a sua encomenda.


1) Sandra Carapinha como surgiu esta ideia de criar camisolas únicas para bebés e crianças neste mundial?

Tanto eu como o meu marido temos formação na área da Publicidade, daí estarmos habituados a trabalhar e desenvolver conceitos criativos. Por outro lado, temos dois filhos que gostamos de ver vestidos com roupa original. Se a isto tudo juntarmos o facto de sermos grandes adeptos da selecção, a ideia começou a nascer na nossa cabeça naturalmente. Depois foi só falar com uma amiga nossa designer - Ana Carvalho - e saber se ela estava interessada em fazer a parte gráfica. Como estavamos todos em sintonia, a partir daí foi deitar mãos à obra.

2) Ainda vamos a tempo de fazer as nossas encomendas. Onde e como o podemos fazer?
Criámos um blog www.pequeninosdeportugal.blogspot.com e uma página no facebook "Pequeninos de Portugal". No site têm as 8 camisolas disponíveis e indicação dos tamanhos que vão dos 6 meses aos 11 anos. Todo o processo de encomenda é feito pelo mail pequeninosdeportugal@gmail.com

3) Se algum pai ou mãe lhe pedisse que lhe fizesse uma camisola igual à do seu filho, a Sandra passava facilmente para o trabalho em XXL, por exemplo?
Inicialmente tinhamos pensado as camisolas para crianças até aos 5/6 anos. A verdade é que a procura maior foi para tamanhos maiores daí termos ido até ao tamanho 9-12. Quanto ao tamanho XXL, sim seria capaz de fazer as camisolas em tamanho maior, mas isso implicaria uma nova produção. É que o nosso produto não é como aquelas t-shirts que se imprimem numa loja de fotocópias. É um processo semi-industrial onde é preciso produzir em grande número para se ter um bom preço.


4) Como tem sido a aceitação por parte do público relativamente ao seu trabalho?
Muito positiva. Superou todas as nossas expectativas, que no início eram vender aos amigos e pouco mais. A adesão tem sido tão boa que estamos a pensar continuar com novos projectos. Uma ideia é fazer uma colecção especial para o Natal.


5) Com a saída de Portugal do Mundial, arrisca iniciar outras ideias nas suas camisolas, quiçá atender aos pedidos de alguns pais?
É curioso que mesmo com a saída de Portugal do Mundial ainda estamos a vender algumas camisolas. Até porque, se analisarem bem a colecção, muitas delas são intemporais. À excepção do tema "Taça" que remete mais para o Mundial, todas as outras podem ser usadas ou no dia a dia da criança, ou já na qualificação de Portugal para o próximo Europeu.
A t-shirt "Prognósticos só depois da sesta", por exemplo, até se aplica ainda a este Mundial, pois não remete para nenhuma equipa em particular.


6) Já alguma mãe ou pai de algum jogador nacional lhe pediu estes trabalhos. Pode-nos revelar quem?

Sim. Fui contactada pela esposa do jogador Hugo Almeida, que me encomendou camisolas para a família, onde foi feita uma adaptação do tema "Simão" e "Cristiano" para o nome Hugo Almeida.


7) Como surgiu o convite para mostrar os seus produtos no Você Na TV, na TVI?
Surgiu naturalmente dada a adesão e visibilidade do projecto na Comunicação Social. Estivemos também no programa Força Portugal da RTP 1 e saiu um artigo sobre nós no jornal 24 Horas e no site iol.


8) Que tipo de camisolas estão com mais saída?
As que têm mais procura são a do "Pintainho de Barcelos" para as meninas, e as "Chuteiras", o "Pu-tu-gal" e "Cristiano".
Muito obrigado por ter aceitado este convite e muito sucesso!
Ricardo Pinto

Armindo Abreu, Presidente da C.M.A



Porque acreditamos ser importante levar a conhecer a todos os eleitores, neste caso concreto, do concelho de Amarante, todas as análises e propostas à Câmara Municipal de Amarante, porque estamos num período conturbado da política do país, achamos interessante conversar com os principais intervenientes nas próximas eleições autárquicas de Amarante. Procuramos uma entrevista que englobasse não só a face política do candidato, mas também, quem é afinal a pessoa que está por de trás da figura de Presidente!O nosso primeiro entrevistado foi o actual presidente da Câmara Municipal de Amarante, Dr. Armindo Abreu, que mais uma vez se assume como cabeça de lista do PS à Câmara Municipal nas próximas eleições concelhias.1) Há quantos anos está à frente da C.M.A?Sou presidente da Câmara Municipal de Amarante desde Outubro de 1995.2) O que o motivou a deixar em parte a advocacia para se dedicar à liderança da C.M.A?Fundamentalmente, o meu gosto pela intervenção política e por o convite ter partido do PS, de que ainda não era militante, mas cuja ideologia eu já professava.3) Sente que de alguma forma a sua vitória há 4 anos estava mais «posta em causa» do presentemente, devido à campanha conturbada de Avelino Ferreira Torres?A última vitória é sempre a mais difícil de alcançar!4) Como reage à acusação feita pelo líder do PSD, Dr. José Luís Gaspar pelas obras do Arquinho não terem sido financiadas pelo Fundo Europeu, estando a Câmara a arcar com todas as despesas?O cartaz que o PSD colocou no Arquinho demonstra duas coisas: a primeira, a de que os seus agentes, apesar de quererem apresentar-se como magníficos tecnocratas, não dominam o básico da estrutura e dos objectivos dos apoios comunitários, ou não tivesse confundido o Fundo Estrutural de Desenvolvimento Regional com o Fundo Social Europeu; a segunda, a de que o PSD é um partido que reage, mas que não age. Quer isto dizer que o PSD entende que se deve reagir perante a existência de apoios comunitários. Enquanto o PS prefere planear e agir mediante as várias possibilidades de financiamento das respectivas obras que em cada momento tem ao seu dispor. Quer através das receitas próprias, quer através dos programas comunitários, quer lançando mão de empréstimos bancários, quer através da celebração de contratos programa com o Governo, quer através de parcerias público privadas, quer através de concessões, conforme os casos e as circunstâncias. No caso concreto da empreitada de requalificação do Arquinho, a Câmara planeou-a muito antes de entrar em vigor o QREN e para ser paga com receitas próprias. Na negociação havida entre todos os municípios que integram a CIM do Tâmega e Sousa e a CCDRN, para a elaboração e aprovação do denominado PDT (Plano de Desenvolvimento Territorial) do Tâmega, cujas acções serão co-financiadas pelo ON2, dei preferência de financiamento comunitário às empreitadas de água e saneamento e da ecopista, também em curso, e indiquei a empreitada de requalificação do Arquinho como primeiro projecto suplente, isto é, com possibilidade de financiamento comunitário, se a quota de Amarante não for totalmente consumida naquelas empreitadas, ou se tiver que haver uma renegociação desse plano. Haveria também a possibilidade da obra do Arquinho ser financiada pelo ON2 – a partir da aprovação da candidatura que estamos a preparar ao EIXO 4 Parcerias para a regeneração urbana POLIS XXI, cujo valor máximo elegível é de 10 M€. Acontece, porém que já planeamos outras obras e acções cujo custo atingirá este valor e que avançarão se essa candidatura vier a ser aprovada, como esperamos.5) Não acha que as obras no Arquinho não poderão por em causa a sua vitória pelo facto de muitos comerciantes se queixarem nos seus negócios, devido ao condicionamento do trânsito naquele local?Tenho a certeza que não, porque as pessoas reconhecem que as obras são necessárias e urgentes, e porque sabem que é inevitável o corte do trânsito e que os incómodos e prejuízos que alguns estão a sofrer, sempre os teriam de suportar noutra ocasião - no próximo Natal, na próxima Páscoa, ou, porventura, no Verão de 2010.6) Surgiram rumores que o Dr., este ano não seria candidato, por se sentir cansado fisicamente e por outras razões. Quais os grandes motivos que o «puxaram» novamente para a vida política activa?A decisão que a comissão política concelhia do PS tomou de eu voltar a ser candidato é de Fevereiro do ano passado. A motivação é a vitória do PS, orgulhoso do trabalho feito em Amarante e convicto de que tem o melhor programa e mais experiência, que é determinante para e eficiência e eficácia da governação.7) Há certezas ou previsões quando terminará a requalificação da Linha do Tâmega?A previsão é a de que as obras fiquem concluídas no primeiro trimestre de 2011. Porém, na última visita que fez a Amarante, para assistir à consignação dos trabalhos que, entretanto, já se iniciaram, a Senhora Secretária de Estado dos Transportes, Engª. Ana Paula Vitorino, desafiou a REFER a concluir as obras até ao início do ano escolar de 2010/2011.8) Como reage às acusações de alguns munícipes que barafustam o facto de o Dr. puxar muitas valências para Vila – Meã, refutando que tal se deve ao facto, de esta ser a sua área de residência?Quanto à acusação que alguns, poucos, me fazem de que a Câmara investiu muito e, porventura, demasiado em Vila Meã, aconselho-os a que investiguem o montante do investimento “per capita” durante os meus mandatos e que informem as conclusões a que chegarem…!?9) O porquê de construir um novo hospital de raiz, ao invés de adquirir as actuais instalações do Hospital de S. Gonçalo e posterior requalificação?O edifício do actual hospital de S. Gonçalo, bem como os terrenos anexos não têm área suficiente para a construção do novo.10) Acredita que Amarante algum dia poderá usufruir de algum pólo universitário?É possível que um dia venha a ter um, ou mais cursos universitários, dependendo do interesse das universidades públicas, ou privadas em investirem no ensino universitário em Amarante. No momento, não vejo que haja esse interesse, até porque aquilo a que assistimos é ao encerramento de cursos e até de universidades. É opinião unânime que, em Portugal se exagerou na criação de cursos universitários.11) Com a construção da nova A4, que perspectivas vê para Amarante com este empreendimento?A curto prazo, isto é, até à conclusão do Túnel do Marão, o aumento de oferta de emprego e a dinamização do comércio e dos serviços locais. Com a continuação da A4 até Bragança, Amarante reforça a sua importância estratégica de ser a porta de entrada rodoviária no Douro e Trás-os-Montes, numa altura em que estas regiões se querem afirmar como destinos turísticos de excelência.12) Em termos de saneamento, caso seja reeleito que promessas pode concretizar na área do saneamento básico nas periferias, em caso concreto, por exemplo, para Gondar?Durante o próximo mandato e caso mereçamos novo voto de confiança dos eleitores, concluiremos a rede de saneamento em baixa à medida que a Águas do Ave, S.A. forem colocando os emissários, nomeadamente o do rio Ovelha, cujo projecto está em fase de conclusão e cuja empreitada deverá ser lançada no início do próximo ano, bem como a da construção da respectiva ETAR.13) Acredita numa vitória de José Sócrates? Que aspectos mais relevantes consideram que devem ser frisados, quando um governo é PS e uma autarquia é PS?Acredito que o PS vai ganhar as próximas eleições legislativas porque os portugueses sentem que o actual governo, liderado por José Sócrates, fez um bom trabalho, só ensombrado pela crise internacional que, obviamente, também atingiu Portugal. Fez as reformas necessárias na Segurança Social, na Saúde, na Administração Pública e lançou programas urgentes para a nossa sustentabilidade e competitividade económica. Refiro, apenas, a aposta nas energias renováveis, quer por questões ambientais, quer e sobretudo, por ser urgentíssimo atenuarmos o nosso deficit energético, e o programa Novas Oportunidades, para a qualificação dos recursos humanos, a para do reforço da cidadania dos portugueses.As eleições autárquicas são de natureza diversa das legislativas e mau seria que o resultado das primeiras influenciasse as segundas.14) Qual será, para além do novo hospital, outras valências de grande envergadura que prevê serem construídas no seu próximo mandato?Só posso responder pelas obras que a Câmara possa lançar e não pelas que já são irreversíveis, como são os casos do Novo Hospital, do Túnel do Marão e da A4 até Bragança, da recuperação da Escola Secundária, da construção das ETAR de Vila Caiz e do Ovelha, da recuperação da Escola Secundária, da requalificação da Linha do Tâmega e da remodelação do edifício do Tribunal, obras estas que implicam um investimento público em Amarante até 2012 de cerca 500 M€. No próximo mandato, se formos eleitos, concluiremos a rede dos Centros Escolares e, não sendo possível dizer aqui, exaustivamente, o que nos propomos fazer, direi que o projecto mais emblemático será o da regeneração urbana na cidade cujo valor elegível é de 10 M€ e cujas obras ficarão dependentes da aprovação da candidatura que estamos a elaborar, como atrás já referi.15) Actualmente, em que situação se encontra o saldo camarário? Existem dívidas, cumpriram os prazos?É conhecido que o município de Amarante é dos mais eficientes em matéria de gestão económico-financeira. Apesar de alguns atrasos na transferência de fundos comunitários relativos a obras já concluídas, continuamos a pagar aos nossos fornecedores dentro dos prazos legais. Também muito poucos municípios se podem orgulhar, como o de Amarante, de manterem uma margem confortável de endividamento.16) Em termos da área ligada aos jovens, na qual me incluo, tenciona manter o programa «voluntariado jovem? E que outras medidas tencionam levar a cabo?Como já disse publicamente, é nossa intenção manter todos os programas de apoio social, o programa de voluntariado jovem. Incluído. Julgo que os jovens de Amarante devem estar mais atentos às oportunidades que a autarquia lhes oferece, nomeadamente em termos de espaços onde possam dar largas à sua criatividade.17) Qual a sua posição relativamente à construção da Barragem de Fridão? Não considera, que em termos paisagísticos isso poderá ter graves consequências?Sou, por princípio, favorável ao aproveitamento dos nossos recursos energéticos, como caminho necessário ao combate à nossa preocupante dependência. Quanto à barragem de Fridão e afastada que está a ameaça de alteração da cota actual de exploração da barragem do Torrão, aguardo o debate público sobre o Estudo de Impacte Ambiental em elaboração, para uma tomada de decisão definitiva. Entendo que em matérias desta importância devemos agir de acordo com a razão e não com as emoções do momento.18) Amarante virá a ter algum novo centro comercial ou edifício do género?Não sei. A Câmara não pode substituir-se à iniciativa privada em investimentos desta natureza.19) Considera-se apto para, caso seja eleito, concluir os 4 anos de mandato?Não aceitaria ser candidato se fosse minha intenção não cumprir o mandato. Quanto à minha aptidão, são os eleitores que a julgam.20) Para finalizar, acha que este ano terá um maior número de votos e consequentemente um maior número de deputados?É certo que, tendo o município de Amarante ultrapassado o número de 50.000 eleitores, o elenco camarário será composto por nove elementos. A escolha dos eleitores vai determinar se o partido vencedor conseguirá uma maioria absoluta. Na minha opinião, Amarante ficará a perder se das próximas eleições autárquicas não resultar uma maioria absoluta para o partido vencedor e que, espero, seja o PS.Muito obrigado Dr. Armindo Abreu por se ter disponibilizado muito prontamente a responder à entrevista do C.P.G. Foi um enorme prazer estar à conversa consigo e fica a promessa, que caso seja eleito far-lhe-ei uma nova entrevista.Cumprimento a si e toda a sua equipa, que colaborou na realização desta entrevista.A todos um bem-haja!
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Porque acreditamos ser importante levar a conhecer a todos os eleitores, neste caso concreto, do concelho de Amarante, todas as análises e propostas à Câmara Municipal de Amarante, porque estamos num período conturbado da política do país, achamos interessante conversar com os principais intervenientes nas próximas eleições autárquicas de Amarante. Procuramos uma entrevista que englobasse não só a face política do candidato, mas também, quem é afinal a pessoa que está por de trás da figura de Presidente!
O nosso primeiro entrevistado foi o actual presidente da Câmara Municipal de Amarante, Dr. Armindo Abreu, que mais uma vez se assume como cabeça de lista do PS à Câmara Municipal nas próximas eleições concelhias.
1) Há quantos anos está à frente da C.M.A?
Sou presidente da Câmara Municipal de Amarante desde Outubro de 1995.
2) O que o motivou a deixar em parte a advocacia para se dedicar à liderança da C.M.A?
Fundamentalmente, o meu gosto pela intervenção política e por o convite ter partido do PS, de que ainda não era militante, mas cuja ideologia eu já professava.
3) Sente que de alguma forma a sua vitória há 4 anos estava mais «posta em causa» do presentemente, devido à campanha conturbada de Avelino Ferreira Torres?
A última vitória é sempre a mais difícil de alcançar!
4) Como reage à acusação feita pelo líder do PSD, Dr. José Luís Gaspar pelas obras do Arquinho não terem sido financiadas pelo Fundo Europeu, estando a Câmara a arcar com todas as despesas?
O cartaz que o PSD colocou no Arquinho demonstra duas coisas: a primeira, a de que os seus agentes, apesar de quererem apresentar-se como magníficos tecnocratas, não dominam o básico da estrutura e dos objectivos dos apoios comunitários, ou não tivesse confundido o Fundo Estrutural de Desenvolvimento Regional com o Fundo Social Europeu; a segunda, a de que o PSD é um partido que reage, mas que não age. Quer isto dizer que o PSD entende que se deve reagir perante a existência de apoios comunitários. Enquanto o PS prefere planear e agir mediante as várias possibilidades de financiamento das respectivas obras que em cada momento tem ao seu dispor. Quer através das receitas próprias, quer através dos programas comunitários, quer lançando mão de empréstimos bancários, quer através da celebração de contratos programa com o Governo, quer através de parcerias público privadas, quer através de concessões, conforme os casos e as circunstâncias. No caso concreto da empreitada de requalificação do Arquinho, a Câmara planeou-a muito antes de entrar em vigor o QREN e para ser paga com receitas próprias. Na negociação havida entre todos os municípios que integram a CIM do Tâmega e Sousa e a CCDRN, para a elaboração e aprovação do denominado PDT (Plano de Desenvolvimento Territorial) do Tâmega, cujas acções serão co-financiadas pelo ON2, dei preferência de financiamento comunitário às empreitadas de água e saneamento e da ecopista, também em curso, e indiquei a empreitada de requalificação do Arquinho como primeiro projecto suplente, isto é, com possibilidade de financiamento comunitário, se a quota de Amarante não for totalmente consumida naquelas empreitadas, ou se tiver que haver uma renegociação desse plano. Haveria também a possibilidade da obra do Arquinho ser financiada pelo ON2 – a partir da aprovação da candidatura que estamos a preparar ao EIXO 4 Parcerias para a regeneração urbana POLIS XXI, cujo valor máximo elegível é de 10 M€. Acontece, porém que já planeamos outras obras e acções cujo custo atingirá este valor e que avançarão se essa candidatura vier a ser aprovada, como esperamos.
5) Não acha que as obras no Arquinho não poderão por em causa a sua vitória pelo facto de muitos comerciantes se queixarem nos seus negócios, devido ao condicionamento do trânsito naquele local?
Tenho a certeza que não, porque as pessoas reconhecem que as obras são necessárias e urgentes, e porque sabem que é inevitável o corte do trânsito e que os incómodos e prejuízos que alguns estão a sofrer, sempre os teriam de suportar noutra ocasião - no próximo Natal, na próxima Páscoa, ou, porventura, no Verão de 2010.
6) Surgiram rumores que o Dr., este ano não seria candidato, por se sentir cansado fisicamente e por outras razões. Quais os grandes motivos que o «puxaram» novamente para a vida política activa?
A decisão que a comissão política concelhia do PS tomou de eu voltar a ser candidato é de Fevereiro do ano passado. A motivação é a vitória do PS, orgulhoso do trabalho feito em Amarante e convicto de que tem o melhor programa e mais experiência, que é determinante para e eficiência e eficácia da governação.
7) Há certezas ou previsões quando terminará a requalificação da Linha do Tâmega?
A previsão é a de que as obras fiquem concluídas no primeiro trimestre de 2011. Porém, na última visita que fez a Amarante, para assistir à consignação dos trabalhos que, entretanto, já se iniciaram, a Senhora Secretária de Estado dos Transportes, Engª. Ana Paula Vitorino, desafiou a REFER a concluir as obras até ao início do ano escolar de 2010/2011.
8) Como reage às acusações de alguns munícipes que barafustam o facto de o Dr. puxar muitas valências para Vila – Meã, refutando que tal se deve ao facto, de esta ser a sua área de residência?
Quanto à acusação que alguns, poucos, me fazem de que a Câmara investiu muito e, porventura, demasiado em Vila Meã, aconselho-os a que investiguem o montante do investimento “per capita” durante os meus mandatos e que informem as conclusões a que chegarem…!?
9) O porquê de construir um novo hospital de raiz, ao invés de adquirir as actuais instalações do Hospital de S. Gonçalo e posterior requalificação?
O edifício do actual hospital de S. Gonçalo, bem como os terrenos anexos não têm área suficiente para a construção do novo.
10) Acredita que Amarante algum dia poderá usufruir de algum pólo universitário?
É possível que um dia venha a ter um, ou mais cursos universitários, dependendo do interesse das universidades públicas, ou privadas em investirem no ensino universitário em Amarante. No momento, não vejo que haja esse interesse, até porque aquilo a que assistimos é ao encerramento de cursos e até de universidades. É opinião unânime que, em Portugal se exagerou na criação de cursos universitários.
11) Com a construção da nova A4, que perspectivas vê para Amarante com este empreendimento?
A curto prazo, isto é, até à conclusão do Túnel do Marão, o aumento de oferta de emprego e a dinamização do comércio e dos serviços locais. Com a continuação da A4 até Bragança, Amarante reforça a sua importância estratégica de ser a porta de entrada rodoviária no Douro e Trás-os-Montes, numa altura em que estas regiões se querem afirmar como destinos turísticos de excelência.
12) Em termos de saneamento, caso seja reeleito que promessas pode concretizar na área do saneamento básico nas periferias, em caso concreto, por exemplo, para Gondar?
Durante o próximo mandato e caso mereçamos novo voto de confiança dos eleitores, concluiremos a rede de saneamento em baixa à medida que a Águas do Ave, S.A. forem colocando os emissários, nomeadamente o do rio Ovelha, cujo projecto está em fase de conclusão e cuja empreitada deverá ser lançada no início do próximo ano, bem como a da construção da respectiva ETAR.
13) Acredita numa vitória de José Sócrates? Que aspectos mais relevantes consideram que devem ser frisados, quando um governo é PS e uma autarquia é PS?
Acredito que o PS vai ganhar as próximas eleições legislativas porque os portugueses sentem que o actual governo, liderado por José Sócrates, fez um bom trabalho, só ensombrado pela crise internacional que, obviamente, também atingiu Portugal. Fez as reformas necessárias na Segurança Social, na Saúde, na Administração Pública e lançou programas urgentes para a nossa sustentabilidade e competitividade económica. Refiro, apenas, a aposta nas energias renováveis, quer por questões ambientais, quer e sobretudo, por ser urgentíssimo atenuarmos o nosso deficit energético, e o programa Novas Oportunidades, para a qualificação dos recursos humanos, a para do reforço da cidadania dos portugueses.
As eleições autárquicas são de natureza diversa das legislativas e mau seria que o resultado das primeiras influenciasse as segundas.
14) Qual será, para além do novo hospital, outras valências de grande envergadura que prevê serem construídas no seu próximo mandato?
Só posso responder pelas obras que a Câmara possa lançar e não pelas que já são irreversíveis, como são os casos do Novo Hospital, do Túnel do Marão e da A4 até Bragança, da recuperação da Escola Secundária, da construção das ETAR de Vila Caiz e do Ovelha, da recuperação da Escola Secundária, da requalificação da Linha do Tâmega e da remodelação do edifício do Tribunal, obras estas que implicam um investimento público em Amarante até 2012 de cerca 500 M€. No próximo mandato, se formos eleitos, concluiremos a rede dos Centros Escolares e, não sendo possível dizer aqui, exaustivamente, o que nos propomos fazer, direi que o projecto mais emblemático será o da regeneração urbana na cidade cujo valor elegível é de 10 M€ e cujas obras ficarão dependentes da aprovação da candidatura que estamos a elaborar, como atrás já referi.
15) Actualmente, em que situação se encontra o saldo camarário? Existem dívidas, cumpriram os prazos?
É conhecido que o município de Amarante é dos mais eficientes em matéria de gestão económico-financeira. Apesar de alguns atrasos na transferência de fundos comunitários relativos a obras já concluídas, continuamos a pagar aos nossos fornecedores dentro dos prazos legais. Também muito poucos municípios se podem orgulhar, como o de Amarante, de manterem uma margem confortável de endividamento.
16) Em termos da área ligada aos jovens, na qual me incluo, tenciona manter o programa «voluntariado jovem? E que outras medidas tencionam levar a cabo?
Como já disse publicamente, é nossa intenção manter todos os programas de apoio social, o programa de voluntariado jovem. Incluído. Julgo que os jovens de Amarante devem estar mais atentos às oportunidades que a autarquia lhes oferece, nomeadamente em termos de espaços onde possam dar largas à sua criatividade.
17) Qual a sua posição relativamente à construção da Barragem de Fridão? Não considera, que em termos paisagísticos isso poderá ter graves consequências?
Sou, por princípio, favorável ao aproveitamento dos nossos recursos energéticos, como caminho necessário ao combate à nossa preocupante dependência. Quanto à barragem de Fridão e afastada que está a ameaça de alteração da cota actual de exploração da barragem do Torrão, aguardo o debate público sobre o Estudo de Impacte Ambiental em elaboração, para uma tomada de decisão definitiva. Entendo que em matérias desta importância devemos agir de acordo com a razão e não com as emoções do momento.
18) Amarante virá a ter algum novo centro comercial ou edifício do género?
Não sei. A Câmara não pode substituir-se à iniciativa privada em investimentos desta natureza.
19) Considera-se apto para, caso seja eleito, concluir os 4 anos de mandato?
Não aceitaria ser candidato se fosse minha intenção não cumprir o mandato. Quanto à minha aptidão, são os eleitores que a julgam.
20) Para finalizar, acha que este ano terá um maior número de votos e consequentemente um maior número de deputados?
É certo que, tendo o município de Amarante ultrapassado o número de 50.000 eleitores, o elenco camarário será composto por nove elementos. A escolha dos eleitores vai determinar se o partido vencedor conseguirá uma maioria absoluta. Na minha opinião, Amarante ficará a perder se das próximas eleições autárquicas não resultar uma maioria absoluta para o partido vencedor e que, espero, seja o PS.
Muito obrigado Dr. Armindo Abreu por se ter disponibilizado muito prontamente a responder à entrevista do C.P.G. Foi um enorme prazer estar à conversa consigo e fica a promessa, que caso seja eleito far-lhe-ei uma nova entrevista.
Cumprimento a si e toda a sua equipa, que colaborou na realização desta entrevista.
A todos um bem-haja!